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Sustentação

A empresa cresce no tamanho da sua sustentação

Por Elisandra Mara Pereira

Empreender tem uma característica que a gente só compreende depois de algum tempo: uma coisa nunca mexe apenas com uma coisa.

Você muda o preço e mexe na margem, no posicionamento, no cliente que chega, na forma de vender e, muitas vezes, na maneira como passa a enxergar o próprio negócio.

Você contrata alguém e muda a operação.

Você começa a delegar e muda a sua relação com o controle.

Você decide crescer e muda a quantidade de responsabilidade que precisa sustentar.

Você organiza o financeiro e começa a tomar decisões diferentes.

Você escolhe um posicionamento mais claro e descobre que alguns caminhos deixam de fazer sentido.

A empresa é assim. Tudo conversa com alguma coisa.

Uma empresa não cresce em partes.

Essa foi uma das aprendizagens mais importantes que a experiência me trouxe.

Uma empresa pode apresentar crescimento em um número, em uma área ou em um resultado específico. Mas, em algum momento, o que cresceu começa a pedir espaço nas outras áreas.

E é aí que empreender amadurece.

Porque chega uma hora em que o sonho deixa de ser apenas o que você deseja construir.

Ele passa a exigir de você a capacidade de sustentá-lo.

Uma empresa maior pede decisões maiores.

Pede mais clareza.

Mais critério.

Mais organização.

Mais capacidade de dizer sim.

E também de dizer não.

Pede maturidade para olhar para os números sem transformar resultado em medida de valor pessoal.

Pede presença para perceber quando a empresa está pedindo uma nova estrutura.

Pede coragem para reconhecer que o que funcionou até aqui talvez precise ganhar outra forma.

E pede, principalmente, envergadura. Envergadura para ocupar o lugar que o próprio negócio criou.

Envergadura é uma palavra de que gosto muito quando penso em empresárias.

Porque ela tem menos a ver com conhecimento e mais a ver com capacidade.

Capacidade de sustentar decisões.

De atravessar consequências.

De lidar com dinheiro.

De conduzir pessoas.

De fazer escolhas difíceis.

De permanecer inteira quando o negócio cresce e começa a exigir mais de quem o conduz.

Ao longo da minha trajetória, fui entendendo que organizar uma empresa também é preparar a empresária para o que ela está construindo.

Porque querer um negócio maior é o começo. Conseguir sustentá-lo é o trabalho.

Resultado é mais do que o que aparece no extrato.

Isso vale para os resultados financeiros, claro.

Mas vale também para autonomia, tempo, liberdade, qualidade de vida, reconhecimento, impacto, relações e para tudo o que fez aquele sonho nascer.

Uma empresa também pode devolver tempo.

Pode ampliar possibilidades.

Pode criar segurança.

Pode dar forma a uma ideia que antes existia apenas dentro de alguém.

Pode permitir que uma mulher ocupe um lugar que, durante muito tempo, ela ainda estava aprendendo a reconhecer como seu.

Por isso, uma das perguntas mais importantes para uma empresária talvez seja esta:

A empresa que eu desejo construir cabe na mulher que estou me tornando?

E, quando a resposta ainda não cabe completamente, existe trabalho a fazer. Trabalho para ganhar estrutura e sustentá-la.

Porque empreender também é crescer por dentro na mesma proporção em que o que você constrói cresce por fora.

Porque o sonho cresce no tamanho de quem o sustenta.

Um primeiro olhar sobre onde o seu negócio está agora.

Começar pelo diagnóstico